Papo com Especialista

com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica

Sabemos que a jornada com a estomia podem surgir muitas dúvidas e, por isso, esse é um espaço para te atualizar sobre os assuntos relacionados aos cuidados com a estomia, do corpo e da mente.

Afinal, ter informação de profissionais capacitados é uma das principais coisas para trilhar essa jornada!

E aí, prontos para terem uma experiência com os melhores especialistas?

Reconstrução Intestinal

Agora que já conhecemos os tipos de estomias intestinais e o seu manejo chegou o momento de falar na sua reversão, o fechamento das estomias.

Fechar a estomia significa reconstruir o trânsito intestinal e se trata de uma cirurgia a ser realizada. Essa cirurgia dependerá de vários fatores relacionadas intrinsecamente ao tipo de estomia, a situação em que foi realizada e a condição clinica do paciente.

Qual tipo de estomia? Foi uma cirurgia programada ou foi uma cirurgia de urgência? Qual a doença que levou a confecção dessa estomia?

Portanto, vamos discorrer um pouco sobre sobre essas questões.

Primeiramente, ao tipo de estomia: é uma colostomia (intestino grosso)? É uma Ileostomia (intestino delgado)? De boca única ou de 2 bocas?

As estomias com 2 bocas permitem, quase sempre, uma reconstrução mais simples, uma vez que ambas encontram-se exteriorizadas pela parede abdominal. Procede-se portanto, a união das 2 bocas sem haver necessidade de abrir o abdômen na maioria das vezes.

As estomias de boca única, ou terminais geralmente, necessitam de reconstrução mais complexa uma vez que teremos que abordar o abdômen afim de encontrar a outra boca para realizar essa ligação. Nessa condição, torna-se necessário estudarmos bem o paciente, com exames de colonoscopia e exames de imagem para sabermos se teremos intestino suficiente afim de que possamos unir as 2 extremidades.

Ainda temos a colostomia definitiva, nessa condição extrema, que ocorre nas amputações do reto, por exemplo, não temos uma segunda extremidade para realizar uma ligação: nesse caso a reconstrução é impossível.

Outra fator é a situação em que a estomia ocorreu, quando ocorre uma emergência, como exemplo, uma perfuração intestinal com contaminação da cavidade abdominal por fezes a situação emergencial da sua realização torna a sua reconstrução mais complexa.

Quando a estomia é programada, como no caso das ileostomias de proteção, o cirurgião já antevendo seu fechamento, já deixa as 2 bocas dessa estomia em situação ótima para a sua reversão que ocorre sem termos que abordar novamente o abdômen do paciente.

A doença que levou a realização da estomia também é fator importante a ser considerado, a reconstrução em um paciente ostomizado por um trauma com perfuração é condição diferente daquela em que houve necessidade de remover grandes seguimentos de intestino como pode ocorrer na doenças inflamatórias intestinais e nos cânceres. Pode não haver intestino suficiente para a reconstrução ou a própria doença do paciente pode não permitir.

Em relação a condição clínica do paciente para realizar a reconstrução de trânsito intestinal, podemos afirmar que ele deva estar bem nutrido e com as suas patologias de base bem controladas. Nos pacientes oncológicos por exemplo, eles não devem estar em tratamento quimioterápico.

E quando podemos fechar a estomia? O fechamento da estomia geralmente ocorre no fim da condição que a causou, não há uma regra bem definida e mais uma vez também depende do tipo de estomia.

Finalmente podemos concluir que a reconstrução do trânsito intestinal dependerá de vários fatores a serem definidos com seu cirurgião, é um momento importante e muito esperado pelo ostomizado mas que necessita de um bom planejamento afim de termos o sucesso esperado.

A SBCO-Regional SP em parceria com a ConvaTec prioriza o paciente oncológico, onde a informação é a melhor maneira de lidar com o problema. Tire suas dúvidas e deixe o seu comentário.

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Mães com Estomia

Neste mês de maio, mês dedicado às mulheres, porque não falar sobre um tema muito pouco comentado e difundido, mas não menos importante… as Mães Ostomizadas! Sim, é possível ser mãe mesmo com ostomia! Vamos entender um pouco mais sobre esse assunto tão especial!

Começaremos então com a parte anatômica. É possível ser Mãe com Ostomia desde que tenha liberação médica para isso a depender do motivo pelo qual você foi submetida a esse procedimento. Levando do pressuposto que isso já foi resolvido, partimos para a parte do estoma.

A primeira grande dificuldade em relação a ostomia, é a multiplicidade de sentimentos que o acompanha. Existe o medo de não saber cuidar, de vazar em momentos inadequados, vergonha dos outros perceberam a bolsa, repúdio e negação da mudança visual. Esse período de adaptação é um tabu para muitos, e principalmente, para as mulheres que acabam tendo em mente o receio da parte visual em relação ao uso de vestimentas e a aceitação do parceiro.

Primeira grande dica é… conheça seu estoma! Procure saber como cuidar, higienizar e esvaziar. Quanto mais conhecimento adquirido num assunto, mais sabemos lidar com ele e menos sentimentos angustiantes são gerados. A partir disso, é possível saber qual melhor roupa usar, de quanto em quanto tempo esvaziar e limpar o estoma sem com que ele comece a vazar, e a rotina social volta a fazer parte do seu dia a dia.

A segunda grande dica é.... Converse com seu parceiro! Fale sobre a ostomia e o porquê foi submetida a tal procedimento. A sinceridade com o parceiro antes de qualquer intimidade, é importante para a sua segurança. Dificuldades vencidas juntas, fortalecem ainda mais o casal! Num momento íntimo, procure deixar a ostomia limpa e a bolsa vazia. Isso tira o medo de que ela vaze durante a relação. Existem as opções de faixas circunferenciais que acabam tampando o estoma ou mesmo os obturadores (“tampas”) que podem ser acoplados ao estoma temporariamente. Não permita não continuar vivendo um grande amor por receio do estoma! Ele salvou sua vida, agora é continuar aproveitando-a ao máximo!

E como toda relação a dois, e o foco do nosso tema de hoje, a possibilidade da gravidez! As grávidas ostomizadas não apresentam dificuldades durante o processo. Quanto mais pro fim da gestação, os comentários giram em torno de que o estoma acaba aumentando de tamanho, ficando mais edemaciado (“inchado”), o que acaba levando as mulheres a cortarem a bolsa em uma circunferência maior. Após o parto, o estoma volta ao seu tamanho habitual normalmente.

A terceira grande dica é… procure manter o peso adequado! Tanto durante a gravidez quanto após ela, manter um peso adequado faz com que a adesividade da bolsa à pele seja maior, impedindo grandes descolamentos e vazamentos. Além disso, manter o peso mesmo durante a gestação, preserva a qualidade e o bom funcionamento do seu estoma.

Existem pacientes, aquelas que possuem o estoma referente ao intestino grosso, nomeado no caso como colostomia, que podem realizar a irrigação do cólon, esvaziando-o e propiciando o uso dos obturadores ao invés das bolsas, permitindo o uso de roupas mais justas e camuflando o estoma.

Finalizando, nesse mês de maio, nada melhor do que representar a força e a garra de uma mulher do que trazer o tema das Mães Ostomizadas. Mulheres que, primeiramente, venceram a doença e o tratamento; superaram a ostomia com a feminilidade e a bravura que somente a Mulher pode ter; e principalmente, conseguiram conquistar um dos seus maiores sonhos que é o de ser Mãe! Reverência e aplausos a esses exemplos de Mulheres Guerreiras! Nós comemoramos o mês, a vocês, a vida inteira!

Tipos de Estomias no Tratamento Oncológico

A estomia, por definição, é a criação e uma comunicação entre uma víscera oca e a superfície do corpo, realizando uma abertura artificial para a excreção de resíduos. Pode estar relacionada com a excreção de fezes (intestino delgado ou grosso) ou urina. O tipo de estoma mais comum no tratamento cirúrgico oncológico é a relacionada com excreção de resíduos intestinais, pode ser utilizada em diversas ocasiões e com diversas finalidades, podendo ser temporária ou definitiva (para sempre), vamos abordar um pouco sobre esses assuntos.

O estoma intestinal (colostomia ou ileostomia), quando necessário, é normalmente necessário após uma cirurgia para retirada de um câncer do intestino, porém na maioria das cirurgias intestinais eletivas não é necessária à sua realização. Caso realizado, é normalmente transitório e com possibilidade de reconstrução do trânsito intestinal.

Em casos de cirurgia de urgência para remoção de um tumor de intestino perfurado ou obstruído, pode ser necessária a realização de uma colostomia terminal (cirurgia de Hartmann). Normalmente realizada a esquerda do abdome, é um estoma do intestino grosso com 1 boca, onde saem fezes bem formadas. É passível de reconstrução através da realização de uma nova cirurgia de grande porte para identificação do reto e realização da emenda (anastomose) intestinal.

Quando o desenvolvimento do câncer se dá no reto (porção mais baixa do intestino grosso, próximo ao ânus), muitas vezes é necessária uma cirurgia para remoção do tumor com a confecção de uma ileostomia de proteção. Essa consiste em um desvio do trânsito do intestino para proteção da emenda intestinal realizada mais próximo ao ânus, que é mais delicada com maior risco de vazamentos (fístula). A ileostomia de proteção é normalmente realizada a direita do abdome, feita com intestino delgado e possui 2 bocas (em alça). Isso facilita a reconstrução posterior, após a cicatrização adequada da anastomose do reto, é realizado uma cirurgia pequena com incisão local em volta da ileostomia, assim o intestino é reconstruído e retorna para dentro do abdome.

O estoma definitivo pode ser necessário quando há um tumor muito próximo ao ânus com necessidade da remoção do esfíncter anal (amputação abdomino-perineal). Neste caso, não existe a possibilidade de reconstrução, e uma colostomia terminal permanente é necessária. Casos de urostomia também são normalmente definitivos, quando há a necessidade de remoção da bexiga, a excreção de urina deve se fazer através de um estoma realizado com um segmento de intestino delgado, assim a urina é coletada em uma bolsa acoplada na parede abdominal. Felizmente, hoje em dia, com o desenvolvimento tecnológico cirúrgico, e com a multidisciplinaridade no tratamento oncológico, incluindo avanços na eficácia de outros arsenais muito importantes no tratamento contra o câncer como a quimioterapia e radioterapia, a realização de colostomias permanentes são cada vez mais raras.

Técnicas para adaptação ao estoma e melhor qualidade de vida do paciente estomizado estão em constante evolução.

A SBCO-Regional SP em parceria com a ConvaTec prioriza o paciente oncológico, onde a informação é a melhor maneira de lidar com o problema. Tire suas dúvidas e deixe o seu comentário.