Papo com Especialista

com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica

Sabemos que a jornada com a estomia podem surgir muitas dúvidas e, por isso, esse é um espaço para te atualizar sobre os assuntos relacionados aos cuidados com a estomia, do corpo e da mente.

Afinal, ter informação de profissionais capacitados é uma das principais coisas para trilhar essa jornada!

E aí, prontos para terem uma experiência com os melhores especialistas?

Novembro Azul

Novembro é o mês mundial de combate ao câncer de próstata.

Para introduzir este assunto tão relevante, é importante entender um pouco sobre a próstata e sua função. A próstata é uma glândula localizada na região pélvica, entre a bexiga e o reto, cuja principal função é a produção de semen. Além de sua função reprodutiva, a próstata tem íntima relação com o sistema urinário masculino, fazendo parte do trajeto de saída da urina.

Após os 40 anos, é comum que ocorra o aumento gradual da parte mais central desta glândula. Esse aumento causa o estreitamento da saída da urina, causando sintomas como jato urinário fraco, necessidade de esforço miccional, sensação de resíduo urinário, etc. Esta condição é conhecida como Hiperplasia Prostática Benigna, a qual pode ser controlada na maior parte das vezes com medicações por via oral.

Já o câncer de próstata, ao contrário da hiperplasia prostática, ocorre na maioria das vezes na zona periférica da próstata. Esta região é mais distante do sistema urinário e por isso, mesmo quando doente, não gera sintomas em fases mais precoces.

Sabemos que 1 a cada 6 homens vai ter câncer de próstata ao longo da vida. Além de ser o tipo de câncer mais frequente entre os homens, é um dos cânceres que mais mata no Brasil e no mundo. Somente no Brasil, estima-se que mais de 15 mil homens morrem ao ano em decorrência desta doença.

Felizmente, nos últimos 20 anos, com a detecção cada vez mais precoce do câncer de próstata, houve uma redução das taxas de mortalidade em todo o mundo. Hoje, a taxa de cura em pacientes com doença localizada é superior a 95%. Desta maneira, nenhum homem deve esperar o aparecimento de sintomas para procurar atendimento médico.

As principais sociedades de urologia do mundo recomendam que para detecção precoce do câncer de próstata sejam realizados tanto o exame de toque retal quanto a dosagem de PSA (antígeno prostático específico) no sangue. Elevações nos níveis de PSA sugerem alteração da próstata e devem ser melhor avaliadas pelo médico. Além disso, uma parcela dos pacientes com câncer de próstata podem ter os níveis de PSA normais, mas o exame de toque pode revelar um nódulo na zona periférica da próstata.

Esses exames periódicos devem ser realizados em todos os homens que tenham acima de 50 anos ou a partir dos 45 anos em homens com algum fator de risco para desenvolver câncer de próstata.

Além da idade, sabemos que os principais fatores de risco associados ao câncer de próstata são:

  • Histórico familiar: existe um risco 3x maior em homens com familiares de 1o grau com câncer de próstata e risco 2x maior em familiares de 2o grau
  • Afro-descendência: nesta população o câncer de próstata além de ser mais frequente tende a surgir com maior agressividade.

Outros aspectos da saúde do homem que devem ser levados em consideração e impactam tanto na prevenção do câncer de próstata quanto na prevenção de outras doenças e promoção da saúde de maneira global são: prática de atividade física regular, alimentação saudável com consumo de frutas, vegetais e grãos, manter o peso adequado, ter uma vida sexualmente ativa, não consumir bebida alcoólica em excesso e não fumar.

Neste Novembro Azul lembre-se de cuidar da saúde de todos os homens aos seu redor! Infelizmente a saúde masculina ainda é muito negligenciada, principalmente em assuntos relacionados a prevenção e detecção precoce de doenças potencialmente graves, como o câncer de próstata.

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Saúde do Homem

Vamos falar um pouco sobre saúde do homem e sua importância. Quando falamos de saúde do homem, estamos falando tanto de atitudes que estão diretamente relacionadas no ganho de qualidade de vida, bem como podem aumentar sua expectativa de vida global, como por exemplo, adoção de hábitos de vida saudáveis. Neste contexto, podemos citar a prática regular de atividade física, bem como parar de fumar e diminuir a ingesta de bebidas alcoólicas. A OMS recomenda que adultos façam cerca de 150-300 minutos de atividade física moderada ou 75-150 minutos de atividade física intensa semanalmente. O tabagismo é um grande vilão da nossa saúde global, estando diretamente relacionado a uma infinidade doenças, bem como envolvido como agente causal de várias neoplasias malignas, destacando-se o câncer de pulmão, garganta, bexiga, esôfago e pâncreas. Indivíduos fumantes devem ser encorajados a pararem de fumar, bem como estimulados a realizar exames preventivos de rotina relacionados aos principais sítios anatômicos sob risco de desenvolvimento de neoplasias relacionadas ao cigarro, tendo como principal exemplo o pulmão. O etilismo também se comporta como um grande inimigo da nossa saúde, devendo ser orientado sempre que possível a ingesta moderada de bebidas alcoólicas, pois o consumo de bebidas alcoólicas em exagero e de maneira continua está relacionado ao desenvolvimento de uma série de patologias, principalmente relacionadas ao fígado e Sistema Nervoso (central e periférico), bem como ao surgimento de neoplasias malignas, destacando-se os cânceres de cabeça e pescoço, esôfago e fígado.

Sabemos que as principais causas de morte no nosso meio, de uma maneira geral, ainda são as doenças cardiovasculares, bem como as neoplasias malignas, exceto as causas de mortes violentas, que dependendo da faixa etária em questão, podem ser a principal causa de morte. Com relação as doenças cardiovasculares, todas as medidas citadas acima estão relacionadas com a redução de risco de óbito por tal causa. Quando falamos de mortes por câncer, uma das principais medidas em questão é a prevenção e/ou o diagnóstico precoce. Para isso, a depender do tipo de tumor, existem rotinas (protocolos) muito bem estabelecidos que orientam a realização de exames de rastreamento periódicos em pacientes do sexo masculino, a depender da idade e o tipo de tumor em questão. Por exemplo, para homens com 45 anos ou mais é recomendado a realização de uma colonoscopia uma vez a cada 5 anos ou menos, a depender do achados do exame anterior. Se esse indivíduo tiver histórico de câncer na família em algum parente próximo com menos de 50 anos, essa rotina deve ser iniciada 10 anos antes da idade do caso em questão (exemplo: indivíduo tem um irmão com diagnóstico de câncer de cólon aos 45 anos de idade. A recomendação seria de começar a realizar uma colonoscopia de rastreio aos 35 anos). Com relação a prevenção do câncer de próstata, o rastreamento geralmente é feito com a realização de toque retal (TR) e a dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico). Essa rotina deve ser iniciada aos 45 anos de idade ou 40 anos de idade para homens que possuem fator de risco (histórico familiar, obesidade, raça negra, alterações prévias do PSA). De um modo geral, estamos falando de um “check-up”!!! É sempre importante estar atento aos sinais e sintomas que o nosso corpo nos dá. Hoje, a maioria das neoplasias malignas tem altíssimas chances de cura quando diagnosticadas em uma fase precoce. Os exames de prevenção são importantes aliados nesta luta!!!

Portanto lembrem-se: adoção de hábitos de vida saudáveis e a prevenção podem estar diretamente relacionadas a uma melhor qualidade de vida, bem como em ganho de longevidade global.

Fique atento! Se cuide!!!

Reconstrução Intestinal

Agora que já conhecemos os tipos de estomias intestinais e o seu manejo chegou o momento de falar na sua reversão, o fechamento das estomias.

Fechar a estomia significa reconstruir o trânsito intestinal e se trata de uma cirurgia a ser realizada. Essa cirurgia dependerá de vários fatores relacionadas intrinsecamente ao tipo de estomia, a situação em que foi realizada e a condição clinica do paciente.

Qual tipo de estomia? Foi uma cirurgia programada ou foi uma cirurgia de urgência? Qual a doença que levou a confecção dessa estomia?

Portanto, vamos discorrer um pouco sobre sobre essas questões.

Primeiramente, ao tipo de estomia: é uma colostomia (intestino grosso)? É uma Ileostomia (intestino delgado)? De boca única ou de 2 bocas?

As estomias com 2 bocas permitem, quase sempre, uma reconstrução mais simples, uma vez que ambas encontram-se exteriorizadas pela parede abdominal. Procede-se portanto, a união das 2 bocas sem haver necessidade de abrir o abdômen na maioria das vezes.

As estomias de boca única, ou terminais geralmente, necessitam de reconstrução mais complexa uma vez que teremos que abordar o abdômen afim de encontrar a outra boca para realizar essa ligação. Nessa condição, torna-se necessário estudarmos bem o paciente, com exames de colonoscopia e exames de imagem para sabermos se teremos intestino suficiente afim de que possamos unir as 2 extremidades.

Ainda temos a colostomia definitiva, nessa condição extrema, que ocorre nas amputações do reto, por exemplo, não temos uma segunda extremidade para realizar uma ligação: nesse caso a reconstrução é impossível.

Outra fator é a situação em que a estomia ocorreu, quando ocorre uma emergência, como exemplo, uma perfuração intestinal com contaminação da cavidade abdominal por fezes a situação emergencial da sua realização torna a sua reconstrução mais complexa.

Quando a estomia é programada, como no caso das ileostomias de proteção, o cirurgião já antevendo seu fechamento, já deixa as 2 bocas dessa estomia em situação ótima para a sua reversão que ocorre sem termos que abordar novamente o abdômen do paciente.

A doença que levou a realização da estomia também é fator importante a ser considerado, a reconstrução em um paciente ostomizado por um trauma com perfuração é condição diferente daquela em que houve necessidade de remover grandes seguimentos de intestino como pode ocorrer na doenças inflamatórias intestinais e nos cânceres. Pode não haver intestino suficiente para a reconstrução ou a própria doença do paciente pode não permitir.

Em relação a condição clínica do paciente para realizar a reconstrução de trânsito intestinal, podemos afirmar que ele deva estar bem nutrido e com as suas patologias de base bem controladas. Nos pacientes oncológicos por exemplo, eles não devem estar em tratamento quimioterápico.

E quando podemos fechar a estomia? O fechamento da estomia geralmente ocorre no fim da condição que a causou, não há uma regra bem definida e mais uma vez também depende do tipo de estomia.

Finalmente podemos concluir que a reconstrução do trânsito intestinal dependerá de vários fatores a serem definidos com seu cirurgião, é um momento importante e muito esperado pelo ostomizado mas que necessita de um bom planejamento afim de termos o sucesso esperado.

A SBCO-Regional SP em parceria com a ConvaTec prioriza o paciente oncológico, onde a informação é a melhor maneira de lidar com o problema. Tire suas dúvidas e deixe o seu comentário.

Mães com Estomia

Neste mês de maio, mês dedicado às mulheres, porque não falar sobre um tema muito pouco comentado e difundido, mas não menos importante… as Mães Ostomizadas! Sim, é possível ser mãe mesmo com ostomia! Vamos entender um pouco mais sobre esse assunto tão especial!

Começaremos então com a parte anatômica. É possível ser Mãe com Ostomia desde que tenha liberação médica para isso a depender do motivo pelo qual você foi submetida a esse procedimento. Levando do pressuposto que isso já foi resolvido, partimos para a parte do estoma.

A primeira grande dificuldade em relação a ostomia, é a multiplicidade de sentimentos que o acompanha. Existe o medo de não saber cuidar, de vazar em momentos inadequados, vergonha dos outros perceberam a bolsa, repúdio e negação da mudança visual. Esse período de adaptação é um tabu para muitos, e principalmente, para as mulheres que acabam tendo em mente o receio da parte visual em relação ao uso de vestimentas e a aceitação do parceiro.

Primeira grande dica é… conheça seu estoma! Procure saber como cuidar, higienizar e esvaziar. Quanto mais conhecimento adquirido num assunto, mais sabemos lidar com ele e menos sentimentos angustiantes são gerados. A partir disso, é possível saber qual melhor roupa usar, de quanto em quanto tempo esvaziar e limpar o estoma sem com que ele comece a vazar, e a rotina social volta a fazer parte do seu dia a dia.

A segunda grande dica é.... Converse com seu parceiro! Fale sobre a ostomia e o porquê foi submetida a tal procedimento. A sinceridade com o parceiro antes de qualquer intimidade, é importante para a sua segurança. Dificuldades vencidas juntas, fortalecem ainda mais o casal! Num momento íntimo, procure deixar a ostomia limpa e a bolsa vazia. Isso tira o medo de que ela vaze durante a relação. Existem as opções de faixas circunferenciais que acabam tampando o estoma ou mesmo os obturadores (“tampas”) que podem ser acoplados ao estoma temporariamente. Não permita não continuar vivendo um grande amor por receio do estoma! Ele salvou sua vida, agora é continuar aproveitando-a ao máximo!

E como toda relação a dois, e o foco do nosso tema de hoje, a possibilidade da gravidez! As grávidas ostomizadas não apresentam dificuldades durante o processo. Quanto mais pro fim da gestação, os comentários giram em torno de que o estoma acaba aumentando de tamanho, ficando mais edemaciado (“inchado”), o que acaba levando as mulheres a cortarem a bolsa em uma circunferência maior. Após o parto, o estoma volta ao seu tamanho habitual normalmente.

A terceira grande dica é… procure manter o peso adequado! Tanto durante a gravidez quanto após ela, manter um peso adequado faz com que a adesividade da bolsa à pele seja maior, impedindo grandes descolamentos e vazamentos. Além disso, manter o peso mesmo durante a gestação, preserva a qualidade e o bom funcionamento do seu estoma.

Existem pacientes, aquelas que possuem o estoma referente ao intestino grosso, nomeado no caso como colostomia, que podem realizar a irrigação do cólon, esvaziando-o e propiciando o uso dos obturadores ao invés das bolsas, permitindo o uso de roupas mais justas e camuflando o estoma.

Finalizando, nesse mês de maio, nada melhor do que representar a força e a garra de uma mulher do que trazer o tema das Mães Ostomizadas. Mulheres que, primeiramente, venceram a doença e o tratamento; superaram a ostomia com a feminilidade e a bravura que somente a Mulher pode ter; e principalmente, conseguiram conquistar um dos seus maiores sonhos que é o de ser Mãe! Reverência e aplausos a esses exemplos de Mulheres Guerreiras! Nós comemoramos o mês, a vocês, a vida inteira!

Tipos de Estomias no Tratamento Oncológico

A estomia, por definição, é a criação e uma comunicação entre uma víscera oca e a superfície do corpo, realizando uma abertura artificial para a excreção de resíduos. Pode estar relacionada com a excreção de fezes (intestino delgado ou grosso) ou urina. O tipo de estoma mais comum no tratamento cirúrgico oncológico é a relacionada com excreção de resíduos intestinais, pode ser utilizada em diversas ocasiões e com diversas finalidades, podendo ser temporária ou definitiva (para sempre), vamos abordar um pouco sobre esses assuntos.

O estoma intestinal (colostomia ou ileostomia), quando necessário, é normalmente necessário após uma cirurgia para retirada de um câncer do intestino, porém na maioria das cirurgias intestinais eletivas não é necessária à sua realização. Caso realizado, é normalmente transitório e com possibilidade de reconstrução do trânsito intestinal.

Em casos de cirurgia de urgência para remoção de um tumor de intestino perfurado ou obstruído, pode ser necessária a realização de uma colostomia terminal (cirurgia de Hartmann). Normalmente realizada a esquerda do abdome, é um estoma do intestino grosso com 1 boca, onde saem fezes bem formadas. É passível de reconstrução através da realização de uma nova cirurgia de grande porte para identificação do reto e realização da emenda (anastomose) intestinal.

Quando o desenvolvimento do câncer se dá no reto (porção mais baixa do intestino grosso, próximo ao ânus), muitas vezes é necessária uma cirurgia para remoção do tumor com a confecção de uma ileostomia de proteção. Essa consiste em um desvio do trânsito do intestino para proteção da emenda intestinal realizada mais próximo ao ânus, que é mais delicada com maior risco de vazamentos (fístula). A ileostomia de proteção é normalmente realizada a direita do abdome, feita com intestino delgado e possui 2 bocas (em alça). Isso facilita a reconstrução posterior, após a cicatrização adequada da anastomose do reto, é realizado uma cirurgia pequena com incisão local em volta da ileostomia, assim o intestino é reconstruído e retorna para dentro do abdome.

O estoma definitivo pode ser necessário quando há um tumor muito próximo ao ânus com necessidade da remoção do esfíncter anal (amputação abdomino-perineal). Neste caso, não existe a possibilidade de reconstrução, e uma colostomia terminal permanente é necessária. Casos de urostomia também são normalmente definitivos, quando há a necessidade de remoção da bexiga, a excreção de urina deve se fazer através de um estoma realizado com um segmento de intestino delgado, assim a urina é coletada em uma bolsa acoplada na parede abdominal. Felizmente, hoje em dia, com o desenvolvimento tecnológico cirúrgico, e com a multidisciplinaridade no tratamento oncológico, incluindo avanços na eficácia de outros arsenais muito importantes no tratamento contra o câncer como a quimioterapia e radioterapia, a realização de colostomias permanentes são cada vez mais raras.

Técnicas para adaptação ao estoma e melhor qualidade de vida do paciente estomizado estão em constante evolução.

A SBCO-Regional SP em parceria com a ConvaTec prioriza o paciente oncológico, onde a informação é a melhor maneira de lidar com o problema. Tire suas dúvidas e deixe o seu comentário.