Papo com Especialista

com Dra. Cristina Diestel

Urostomias: existe algum cuidado alimentar específico?

A urostomia é a exteriorização dos condutos urinários na parede abdominal permitindo a eliminação da urina constante por gotejamento, portanto, é necessário o uso de uma bolsa coletora.

O conduto ileal é o tipo mais comum de urostomia e isso significa que foi necessário remover a bexiga devido à doença ou lesão. Nessa cirurgia, é removido uma porção pequena do intestino delgado, onde a parte distal é fechada por grampeamento, os dois ureteres que transportam a urina dos rins são conectados nesta porção do intestino e a parte proximal exteriorizada através da parede do abdome originando o estoma, conhecido como urostomia.

Pacientes com urostomia precisam beber bastante líquido (em torno de 35-40ml/kg/dia) pois possuem mais risco de infecções urinárias. Além disso, recomenda-se a ingestão diária de frutas ricas em vitamina C (ex. frutas cítricas, acerola, kiwi, goiaba) que tem possuem efeito protetor devido a acidificação da urina. Em caso de infecção urinária de repetição podem ser prescritos o cranberry em cápsulas e D-manose que possuem uma ação anti-adesão de bactérias no urotélio, mas sempre a critério do médico ou nutricionista.

Adicionalmente, recomenda-se evitar excesso de bebidas como café, chá preto, bebidas à base de cola, chocolate e bebidas alcoólicas que são diuréticas e irritantes de bexiga e vias urinárias. Alguns pacientes também podem queixar-se de mal-estar ao ingerir pimenta ou alimentos muito picantes, mas, nesse caso, é importante a auto-observação.

Nutricionista Cristina Fajardo Diestel

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Alimentação nas Festas Juninas e Julinas: é preciso algum cuidado?

As festas juninas são festas populares que acontecem durante o mês de junho e que, eventualmente se prolongam pelo mês de julho, por isso “julinas”, também. Essa comemoração é comum em todas as regiões do Brasil, especialmente no Nordeste, e foi trazida para o Brasil por influência dos portugueses no século XVI. Inicialmente, as festas possuíam uma conotação estritamente religiosa e era realizada em homenagem a santos como São João Batista (24 de junho), Santo Antônio (13 de junho) e São Pedro (29 de junho), conotação essa que se perdeu em parte, uma vez que, atualmente, é vista por muitos mais como uma festividade mais popular do que religiosa.

Elementos comuns nessas festas são as roupas de caipira, a dança da quadrilha, a fogueira, o “casamento na roça” e as comidas típicas (que podem variar ligeiramente, de acordo com a região do Brasil).

A comida é uma grande característica da festa e quase todos brasileiros adoram comidas de festas juninas e julinas que tem como base dois ingredientes principais, o milho e o amendoim.

O amendoim torado, doce ou salgado pode ser ingerido puro, usado para decoração de pratos e para confecção da paçoca ou do pé de moleque. O milho é um ingrediente tão delicioso quanto coringa. É praticamente impossível pensar em algum prato de festa junina que não leve o alimento em sua receita. A partir do milho, podemos fazer pamonha, pipoca, canjica, milho cozido, bolo de fubá, bolo de milho, polenta, curau, cuscuz, suco e até uma cachacinha.

Outros alimentos muito encontrados são: o coco que pode estar nas cocadas, tapioca, maria-mole e nos famosos quindins; o aipim usado para bolo e de onde é produzida a goma da tapioca e, no sul do país, o pinhão, semente da araucária que pode ser ingerido puro, cozido, assado ou usado em receitas doces e salgadas.

Quando vamos a uma festa, gostamos de comer essas comidas típicas e não há mal nisso, desde que seja algo pontual. Não podemos, também, comer alimentos doces e gordurosos de forma frequente por dois meses (junho e julho). Além disso, existe um ponto muito importante para os portadores de ileostomia, que não devem ingerir amendoim, oleoginosas, pipoca e milho inteiro, pelo risco de obstrução.

Espero que esteja todo mundo curtindo as festas juninas e julinas!

Alimentação em Pacientes com Ileostomia

A Ileostomia é uma exteriorização (abertura) do íleo (parte final do intestino delgado), pela parede abdominal, formando um novo trajeto e uma abertura para a saída das fezes. A confecção de uma ileostomia é de indicação médica e é uma opção que salva vidas e melhora a qualidade de vida dos pacientes que sofrem de diferentes doenças intestinais. Os pacientes que possuem ileostomia precisam de alguns cuidados importantes na sua alimentação.

As fezes da ileostomia, em geral, são líquidas/semi-líquidas com odor fracamente ácido e amareladas. A quantidade normal de água nas fezes em pacientes sem estoma e sem ressecção intestinal é de 150 a 200ml. As fezes de pacientes com ileostomia após adaptação intestinal (em média 6-8 semanas após a cirurgia de confecção do estoma) possuem, em média, 500-700ml, sendo maiores em pacientes que além da ileostomia, ressecaram parte do intestino delgado. Dessa forma, percebe-se que a perda de líquidos e, também, eletrólitos como sódio e potássio é maior nessas pessoas e precisa ser ajustado de forma individual. Caso exista um débito muito alto (>1000-1500ml/dia), são recomendadas reposições com soluções de reidratação oral.

O transito intestinal de pessoas ileostomizadas é, em geral, mais rápido e eventualmente, observa-se resíduos alimentares inteiros nas fezes. Devido a saída do estoma ser estreito, outro cuidado importante é com o possível risco de obstrução. Dessa forma, costuma-se orientar a mastigação adequada e evitar cascas, verduras folhosas, milho, frutas secas, nozes/castanhas e oleoginosas em geral e pipoca.

Nas primeiras semanas após a confecção do estoma, é comum a orientação para o uso de uma dieta mais constipante, para auxiliar na redução do débito e na adaptação. Nesse momento, devido a restrição da dieta pode ser necessário um suplemento multivitamínico e mineral e maior atenção deve ser dada a perda e líquidos e eletrólitos e a necessidade de reposição. É importante evitar cafeína e as bebidas alcoólicas que estimulam a peristalse e as secreções intestinais.

Após a adaptação, recomenda-se introduzir outros alimentos, maior variedades de legumes, frutas e verduras cozidas (bem cozidas, mastigadas e/ou batidas). Em geral, evita-se grãos de leguminosas, verduras e legumes crus e frutas com casca, mas isso deve ser sempre individualizado. A lactose pode ser consumida, se tolerada, mas deve-se usar produtos desnatados, com menor teor de gordura, assim como sempre evitar alimentos muitos gordurosos e frituras que aceleram o trânsito intestinal.

Ficou em dúvida, precisa de orientação mais especializada e individualizada, o ideal é consultar um nutricionista!

Tipos de Chocolate

O cacau (Theobroma cacao) é um fruto originário da América do Sul e da América Central, popular pela sua rica concentração de compostos fenólicos, seu sabor e por ser matéria prima do chocolate. O consumo de cacau em uma dieta balanceada tem efeito antioxidante, antiaterosclerótico, previne dislipidemias e pode ter influência contra o envelhecimento da pele. O chocolate também estimula a produção da feniletilamina no corpo, substância que causa sensação de extremo bem-estar quando ingerida, pois é precursora da serotonina, neurotransmissor conhecido como “substância química do bem estar”.

Sendo um fruto versátil, o cacau pode ser inserido na alimentação, facilmente, na forma de cacau em pó, polpa de cacau, chocolates com um percentual elevado de cacau, entre outras opções. Mas, enfim como escolher o produto para consumo?

Chocolate branco: O chocolate branco se chama chocolate mas de chocolate – massa de cacau – mesmo não tem nada. É apenas manteiga de cacau, leite, leite em pó, açúcar, emulsificante, aromatizantes, etc. Portanto, tem muito mais açúcar e gordura em sua composição e não acrescenta nenhum beneficio à saúde.

Chocolate ao leite: o chocolate é considerado ao leite quando seu percentual de massa de cacau varia entre 25% e 40%, o resto é manteiga de cacau, açúcar, leite, leite em pó, emulsificantes, etc Provavelmente é o mais consumido pois agrada em cheio os paladares da maioria mais acostumada com coisas doces.

Chocolate amargo: contém massa de cacau que varia de 50% a 100%, manteiga de cacau e açúcar. Quanto maior o teor de cacau, mais amargo, menos manteiga de cacau e menos açúcar ele terá, ou seja, será mais puro, nutritivo e rico em fitoquímicos.

Então, seguem as dicas quando forem comprar:

  • Quanto mais cacau melhor (ideal 70%). Assim garantimos que tem boa concentração de cacau e sobra até 30% para outros ingredientes. O cacau tem que ser sempre o primeiro ingrediente da lista! Quanto menor a porcentagem de cacau, maior a porcentagem de outros ingredientes desnecessários ou ruins (gordura, leite, açúcar, aromatizantes etc.).
  • Cuidado com a lista de ingredientes: um chocolate para ser chocolate só precisa de duas coisas: cacau e manteiga de cacau. Evite aqueles com com gorduras advindas de outras fontes como “gordura vegetal”, “gordura láctea” ou “gordura hidrogenada”.
  • Açúcar: evite o açúcar como primeiro ingrediente! Na lista de ingredientes, os componentes estão listados em ordem decrescente, ou seja, o primeiro está presente em maior quantidade no alimento. Dessa forma, opte por opções compostas essencialmente por cacau e cuja lista de ingredientes inicie com “cacau”, “massa de cacau”, “pasta de cacau” ou ainda “cacau em pó”.
  • Adoçantes – se escolher chocolates com adoçantes, prefira os que possuem adoçantes naturais como estévia, taumatina e xylitol. E fuja dos que tiverem adoçantes artificiais (ciclamato, sacarina, aspartame, acessulfame, etc). Mas, não se esqueça, se você tem diarreia ou ostomia com debito mais elevado e fezes mais moles, tome muito cuidado com todos os produtos que tem Xylitol, Maltitol, Eritritol pois eles podem piorar o quadro!

Gostou das dicas?

Feliz Páscoa a todos! Grande beijo

Alimentação x Intestino

Você sabia que o intestino é considerado o nosso segundo cérebro? Pois é, ele tem mais neurônios que a espinha dorsal e age independentemente do sistema nervoso central. Esse cérebro "independente" em nossas entranhas e sua complexa comunidade microbiana influenciam no nosso bem-estar geral.

A função do intestino hoje é reconhecidamente muito maior do que o processamento dos alimentos que comemos. Aproximadamente 70% da imunidade do nosso corpo se encontra no intestino e a para seu adequado funcionamento é importante a manutenção de uma barreira intestinal e de uma microbiota saudável.

Hoje, sabemos que a composição da microbiota influencia a saúde e o surgimento e mesmo o controle e o tratamento de inúmeras doenças como, por exemplo: doenças inflamatórias intestinais, câncer, depressão, doenças neurodegenerativas, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, doenças hepáticas, imunológicas, entre outras.

As dicas alimentares e de estilo de vida de hoje são para manutenção de um intestino e microbiota saudáveis:

  • Consuma alimentos ricos em fibras: legumes, verduras e frutas e varie as cores, procurando comer pratos coloridos sempre que possível
  • Beba bastante água: calcule sua necessidade individualmente 30ml para kg de peso corporal
  • Evite bebidas alcoólicas, um consumo social e eventual é aceitável
  • Evite alimentos ricos em açúcares, especialmente o branco e alimentos com xarope de glicose, maltodextrina e açúcar invertido. Mesmo açúcar demerara, mel, açúcar mascavo e açúcar de coco devem ser consumidos em pequena quantidade. A ideia é se acostumar com o sabor original dos alimentos. No caso dos adoçantes, os melhores são estévia, taumatina e xylitol (cuidado com esse pois pode dar gases e diarreia)
  • Evite alimentos ultraprocessados e industrializados (leia os rótulos, lembre que nos produtos a lista ingredientes aparece do ingredientes com quantidades do maior ao menor, evite os produtos que possuem espessantes, conservantes, emulsificantes e afins)
  • Evite o consumo excessivo de carnes vermelhas (ideal máximo 400g/semana), gorduras saturadas (banha, manteiga, gorduras das carnes/pele de aves) e frituras
    - tenha cuidado no preparo dos alimentos evite aqueles muito torrados ou tostados com crostas escuras
  • Evite o consumo excessivo de sal

Vamos juntos? Melhorar a saúde através do intestino! Beijão da Nutri

A Importância da Alimentação Saudável

Ter uma alimentação saudável e equilibrada é muito importante para todos mas, especialmente, para aquelas pessoas que tem problemas intestinais.

A alimentação é algo bastante instintivo, não é? Comemos quando temos fome, quando temos vontade, por prazer, quando estamos tristes, felizes ou angustiados, em diversos eventos sociais... Porém, a pergunta que sempre faço: nós cuidamos da qualidade do que comemos? Nem sempre... E, já dizia Hipócrates há mais de 2400 anos atrás: faça do alimento o seu remédio.

Fazendo uma analogia, quando compramos um carro, um bem material, fazemos esforço juntamos dinheiro e, então, sempre temos a preocupação com a qualidade do combustível que colocamos nele, isso porque pretendemos manter carro bem cuidado e, normalmente ficamos com ele por alguns anos. Porém, grande parte das pessoas parece desconsiderar esse tipo de cuidado quando se trata da si mesmo e coloca para “dentro”, ingere, coloca muitos “combustíveis” (alimentos) ruins. E nosso corpo, nossa saúde é, sem dúvida, nosso maior bem antes de tudo.

Com uma alimentação saudável você previne e trata doenças, você rende melhor nos estudos, no trabalho (melhora de produtividade), fica mais bonito, isso vale para pele, cabelo ou mesmo para a manutenção do peso adequado e garante uma boa qualidade de vida.

E, quando vamos pensar no que realmente é bom para comermos podemos pensar que naqueles alimentos que são ingeridos há muito, muito tempo, como os alimentos naturais! Assim, para pensarmos inicialmente na qualidade da nossa alimentação, podemos focar em alguns pontos principais:

  • Comer alimentos naturais – os nutricionistas vivem falando descasque mais e desembale menos. Evite os industrializados, aqueles que tem uma lista enorme de ingredientes, que são ultraprocessados e que normalmente são cheios de aditivos, conservantes estabilizantes e afins. Ninguém ficará livre de todos os industrializados nos dias de hoje, mas a ideia é ler os rótulos, escolher aqueles mais limpos, com menos ingredientes e aditivos. Lembrando que as listas de ingredientes nos rótulos são sempre daqueles que tem quantidade maior.
  • Beba água – nosso corpo é composto de 50-60% de água.
  • Coma quando sentir fome - algumas pessoas com problemas gastrointestinais precisarão comer em quantidade menor e várias vezes ao dia, porém, estando a alimentação equilibrada e adequada ela pode ser ingerida em 2-3 refeições diárias, obedecendo a fome como comando.

O importante é começar a mudar alguns hábitos. Vamos? Lembrem-se o ótimo é inimigo do bom, o importante é você começar!

Grande beijo!