Papo com Especialista

com Cláudia Carvalho

Sexualidade Masculina

 

“A gente não precisa ter tanta certeza de tudo o tempo inteiro e é perfeitamente possível e desejável mudar.”
– Luciano Ribeiro.

Percebi que os homens têm uma necessidade gritante de aprenderem sobre educação sexual, que necessitam de afeto, que passam por relacionamentos abusivos, fingem orgasmos, que não são uma máquina de sexo, que choram, que engolem o choro, que escondem os sentimentos, que são inseguros, que possuem problemas com sua autoestima, que sofrem de problemas na cama e que muitos não sabem como fazer sexo por causa da pornografia.

São inúmeros os mitos que impedem de homem de verdade ser o macho da relação. Uma pesquisa1 realizada pela ONU Mulheres e o Portal Papo de Homem aponta que construção da identidade masculina estereotípica é expressa em nove orientações básicas: cultura do herói, violência, heterossexualidade, restrição emocional, capital viril, pertencimento ao grupo, sexo, trabalho, provedor, seguir essa receita implica integrar-se às expectativas de como os homens devem agir, sentir e falar, eles são cobrados o tempo todo a serem o macho da relação, o que se deita com todas, o que não pode demonstrar afeto porquê isso tira a masculinidade.

Eles precisam entender, e nós mulheres também, que a sexualidade masculina não se resume ao ato sexual com penetração sexo e a seu órgão genital.

Quando pesquisava na internet sobre a sexualidade masculina, os resultados que mais apareciam eram a respeito de: disfunções sexuais, comerciais de produtos para aumentar o pênis e medicamentos para manter a ereção por mais tempo durante o sexo.

A sexualidade masculina abarca uma ampla variedade de questões sobre sexo, desejos, comportamentos sexuais, aspectos fisiológicos, psicológicos, sociais, culturais e – até mesmo – espirituais, muitas vezes, o conceito de sexualidade é confundido com ato sexual propriamente dito. A sexualidade é uma parte integrante da vida de cada ser humano e deve ser cuidada.

A maioria dos homens, buscam os resultados na performance sexual e acabam esquecendo de percorrer todo o processo com prazer. Observamos que quando a sexualidade masculina é discutida, é tratada de maneira reducionista, por exemplo, a revista Mens Health (Gomes2 2008) costuma restringir a sexualidade masculina apenas à avaliação da competência em relação ao desempenho sexual.

Se as mulheres, antigamente, sofriam repressão sexual por não poderem demonstrar seus desejos e sentir prazer, os homens ainda sofrem. Eles ainda ficam perdidos, sentem dificuldade de expressar seus sentimentos e de viverem uma sexualidade menos focada na performance sexual.

Por isso, é importante abordar esse tema para que vocês homens, não se cobrarem tanto, afinal, estar bem consigo mesmo é crucial para manter a qualidade de vida e saúde mental.

Por Claudia Carvalho

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SEXUALIDADE DA ADOLESCÊNCIA

Hoje o texto é diferente, na realidade, vim compartilhar com vocês a história dessa jovem que conseguiu refazer sua vida sexual, mesmo sendo ostomizada.

- Meu nome é Jasmine e tenho uma bolsa coletora de fezes no abdômen”, esta não é uma frase clássica para iniciar uma conversa, né?

Se você acha que tem problemas com o Tinder, imagine ter 25 anos, ser solteira e não ter intestino grosso. Acrescente a isso ter que carregar, permanentemente, uma bolsa de estomia. Como tema de conversa, certamente é diferente.

Desde os 10 anos comecei a ter problemas com a doença de Crohn, que me causava dores crônicas. Eu tinha que ir ao banheiro cerca de 25 vezes por dia e sofria de diarreia combinada com sangramento e muco.

Ir para a faculdade e a universidade era um pesadelo, e eu era internada no hospital cerca de quatro vezes por ano. Eventualmente, aos 20 anos, cheguei ao limite. Os médicos me disseram que minha única opção seria uma ileostomia, uma cirurgia que empurraria meu intestino delgado para dentro da barriga através de uma pequena abertura no abdômen chamada estoma.

Mas ninguém fala sobre essa doença. Carregar uma bolsa carrega um grande estigma: Como você deve lidar com a questão das relações sexuais? Qual é o momento certo para abordar o assunto? É uma espécie de aviso que tem que dar no primeiro encontro ou é melhor esperar que as luzes se apaguem? Eles vão achar repulsivo, quando eu ainda acho repulsivo? Vai fazer barulho? A bolsa vai cair?

Depois da cirurgia, minha autoestima caiu no chão. Me senti só, pensei "Por que eu, quando tenho apenas 20 anos?". Achei que nunca mais faria sexo.

Após a cirurgia, demorou um ano inteiro até que eu começasse a considerar a possibilidade de namorar novamente.

A ideia de me sentir sexy era quase tão opressora quanto ter que dizer a alguém que eu tinha uma bolsa presa a mim, mas chegou um momento em que percebi uma coisa: Se você não quer sair comigo porque eu tenho uma bolsa, então não quero sair com alguém como você.

Desde a operação, tive casos de uma noite, pequenos romances e um relacionamento sério de dois anos. Também lidei com vários rapazes que me disseram que não aguentariam, mas não tenho espaço na minha vida para ninguém que não pode me aceitar como eu sou.

Algumas complicações na minha cirurgia tornam certas posições durante o sexo desconfortáveis, mas fisicamente tudo funciona bem. A única barreira que realmente existe é mental.

Por enquanto, sou solteira, mas a lição mais importante que tudo isso me deu foi:

“Aprender a me amar e a me aceitar como sou, com ou sem estoma!”

SEXO E RELACIONAMENTOS

Oito dicas para melhorar o seu relacionamento

Como melhorar, acender, dar vida debaixo dos lençóis com tanto tempos juntos? Acreditem, todos os que estão há muito tempo juntos passam por essa situação.

  • 1 - Só é possível acender o desejo na relação quando os dois querem fazer funcionar. Trazer a paixão, resgatar admiração e o desejo não é um trabalho unilateral. É um trabalho de dois.
  • 2 - Sexo é fundamental no relacionamento – Queremos ser amadas, abraçadas, ter uma pessoa que seja companheiro, ter diálogo, mas colocamos o sexo como a última atividade da semana ou do dia. Não queremos fazer sexo quando estamos cansados ou estressados, isso porque o corpo e a mente estão exaustos e nada vai ser agradável! Saiba respeitar seus limites.
  • 3 – Sinta-se sexy e cuidada – Não é porque você está no relacionamento a um determinado tempo que vai parar de cuidar e de se amar. Faça um exercício físico, cuide do seu emocional — faça terapia. Cuidar do seu interior e sentir-se bem consigo mesmo vai ajudar e muito na sua relação amorosa.
  • 4 – Sem comunicação sexo não funciona – A comunicação é fundamental para todas as áreas da vida: no trabalho, no ambiente familiar e no relacionamento. É impossível ter um relacionamento saudável e um sexo maravilhoso sem o diálogo. É através do diálogo que compartilhamos nossos desejos, mas o diálogo, não é só sobre falar, falar… É também sobre ouvir.
  • 5 – Aposte nos brinquedos eróticos - Se você, ainda não se sente tão a vontade ou nunca experimentou algum brinquedo erótico, vocês podem começar com brinquedos básicos, tipo: géis e bolinhas.
  • 6 - Por que não elogiar mais? - Elogiar, é dizer o quanto ele ou ela está bonito, sexy, gostoso! Aumenta a confiança, a seguridade debaixo dos lençóis. Você recorda qual foi a última vez que elogiou seu parceiro (o)? Amar é também elogiar!
  • 7 – Crie algo novo uma vez por mês –Não precisa ser uma viagem internacional. Não precisa todo mês ser um hotel de luxo, mas existem coisas simples que são excitantes. Um jantar no restaurante ou em casa especial para você, novas formas de exploração do corpo, massagens ou até mesmo um sexo em local diferente.
  • 8 - Desconecte o celular na hora de dormir – Não vá para cama e fique todo tempo no celular. O casal pode fazer um acordo do tipo: passar 30 minutos os dois usando o celular e, depois os dois conversarem, compartirem o dia, fazer uma massagem. Conecte com seu parceiro (a) da mesma forma que você se conecte com à internet.

Viva e desfrute!

Claudia Carvalho

Sexóloga e Terapeuta Sexual

COMO LIDAR COM A SEXUALIDADE X DOENÇAS CRÔNICAS

Receber um tema como esse é um desafio. Nunca tive paciente com doença crônica que pedisse ajuda na vida sexual, e, de alguma forma, me leva a questionar alguns pontos: a gente trata, a gente vê a pessoa com algum tipo de doença crônica como um ser humano que tem a sua sexualidade ou um corpo que carrega uma doença?

Na Espanha trabalhei como cuidadora de pessoas com doenças crônicas e confesso que nunca olhei para essa pessoa como alguém que tinha uma sexualidade. Eu vi isso como um corpo doente. Acho que sexo, morte, doenças crônicas são vistos como tabus para conversar, debater com tanta naturalidade quanto: religião, política e futebol.

Todo ser humano tem direito de vivenciar sua sexualidade, mas me parece que quando se trata de pessoa com doença crônica, a gente só vê a doença, mas a pessoa com doença crônica não é a doença. A doença faz parte da sua vida, mas a vida, a energia deve continuar, apesar da doença.

É um erro pensar, não tomar a sexualidade como uma dimensão, um componente na vida dessas pessoas. Como seria diferente se os próprios profissionais de saúde pudessem ver a sexualidade como parte da recuperação de um paciente com doenças crônicas. Sabe-se que pacientes crônicos que mantêm uma vida sexual satisfatória, apresentam uma melhor adaptação à doença e apresentam melhores níveis de qualidade de vida.

O que são doenças crônicas?
As doenças crônicas são aquelas de progressão lenta e longa duração, que frequentemente carregamos ao longo de nossas vidas.

A vida sexual acaba por causa do diagnóstico?
O diagnóstico não deve ser o ponto final para vivenciar a sexualidade. Talvez a melhor coisa que você possa fazer é experimentar novas maneiras de agir, sentir, tocar a si mesmo e ao outro.

Expanda o caminho do desejo e do prazer. Dessa forma, a comunicação, o abraço o carinho são importantes ... tudo isso faz parte da vida sexual. É interessante que a pessoa que sofre de uma doença crônica fique bem informada sobre sua doença e como aprender a enfrentá-la para descobrir novas formas de amar.

O que acontece?
Uma doença crônica pode modificar a imagem corporal, tanto por sua evolução quanto por motivos decorrentes de seu tratamento, o que leva automaticamente à perda da autoestima. Talvez, aqui o paciente perca a confiança no processo de sedução, disfunção sexual é comum no público masculino e perda do desejo sexual e erotismo no público feminino.

Por que a pessoa com doença crônica deve exercer sua sexualidade?
Deve existir porque é um direito de todo ser humano. Porque a pessoa não é doença. Você é mais do que um corpo tomando remédios. Existe desejo, existe prazer no sexo que só você deveria experimentar através de novas formas de amar. Pode ser que durante essa descoberta a resposta sexual soe diferente, talvez o desejo, a excitação demore mais, pode ser que o pênis não se levante, mas há um corpo inteiro - há língua, olhos, cotovelo, joelhos, antebraços, pele, tudo com a esperança de ser explorado de uma forma que só você saberá fazer.

E como vai ser?
Tentamos novas posições, outros toques, outras formas de fazer sexo além da penetração.

Desfrute!

SAÚDE SEXUAL: DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

Pela Organização Mundial da Saúde, a saúde é compreendida como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças. E quando falamos sobre bem-estar a questão da saúde sexual deve ser abordada.

A sexualidade é característica da personalidade de cada um. É uma necessidade básica e não pode ser diferenciada de outros aspectos da vida e, com isso, precisamos ficar atentos com as infecções e doenças que cercam esse tema.

Para começar, o termo Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) é usado no lugar de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), porque às vezes a pessoa pode se infectar, mas não manifestar a doença. Outra coisa importante é que as DST não está relacionada com a orientação sexual das pessoas (heterossexual, bissexual, homossexual, entre outras), mas com as práticas sexuais praticadas.

Curiosidades

Você sabia que a AIDS ainda é um problema? Em 2015, 44 mil novas pessoas foram infectadas no Brasil. 96,4% das mulheres infectadas pelo HIV foram expostas a relações heterossexuais.

Você sabia que em 2015 ocorreram 65 mil novos casos de sífilis e que quem faz sexo desprotegido faz parte do grupo sob risco de contrair alguma dessas infecções?

Você sabia que infelzimente, 47% dos brasileiros entre 14 e 24 anos não usam preservativo? E de acordo com a Organização Mundial de Saúde, 1 milhão de novas infecções ocorrem todos os días?!

Sexo é a principal forma de transmissão do HPV, seja por meio de relação sexual ou sexo oral. Herpes não tem cura. A partir do momento em que você tem uma infecção, você passa por vários episódios ao longo da vida. A única forma de prevenção é o preservativo.

Como são transmitidos?
São transmitidos, principalmente, pelo contato sexual sem o uso de preservativo, com uma pessoa infectada e, geralmente, manifestam-se por feridas, secreções ou bolhas.

Quem pode ser infectado com uma DST?
Qualquer pessoa sexualmente ativa, homem ou mulher.

Como as DSTs se manifestam?
Podem se manifestar com alguns dos síntomas abaixo:

  • Corrimento anormal da vagina, pênis ou ânus;
  • Queimação ou dor ao urinar;
  • Feridas, bolhas ou outras lesões na área genital e/ou anal;
  • Irritação na área genital.

Não deixe seu corpo, seu prazer e seu cuidado serem terceirizados. É sua responsabilidade e parte do seu prazer fazer sexo com preservativo. Não tenha vergonha de carregar um preservativo na bolsa. Não há maior teste e prazer no sexo do que evitar infecções sexualmente transmissíveis ou gravidez indesejada.

Cada um é responsável pelo seu corpo! Você é responsável tanto pelo seu prazer quanto pelo seu cuidado.

Você quer fazer sexo sem camisinha? Deixe-me ver seu exame.

SEXUALIDADE FEMININA

Acho que é uma maneira interessante de começar essa conversa sobre a sexualidade feminina, é entender o que a sexualidade feminina, não é?

Uma vez ouvi de um homem que não parecia uma sexóloga, porque não tinha um corpo bonito, com seios grandes e cintura fina. Outra vez, ouvi de um homem que não era sexy o suficiente porque não estava usando batom vermelho ou salto alto. Temos um conceito muito errado do que é ser mulher sexual.

A sexualidade, neste caso feminina, não está ligada apenas ao prazer do funcionamento de um único órgão - o genital. Associar nossa sexualidade e nosso sexo ao funcionamento de um pênis ou vagina é empobrecer a vida sexual. Sexo penetrante é apenas uma forma de fazer sexo. Não é e não deve ser o prato principal. Existem outras maneiras de sentir prazer! Você já se perguntou como seria o mundo se os orgasmos dos homens fossem preliminares e os orgasmos femininos fossem o evento principal?

A sexualidade tem a ver com mover, tocar, sentir a vida, de si e do outro, e isso vai muito além da penetração. Sexualidade é o que penso, o que sou, está associado à maneira como vejo o sexo, como sinto prazer por meio da experiência sexual. A verdade é que nossa sociedade é penetrativa e é por isso, a sociedade espera que a mulher seja sexualmente atraente, que seu corpo, seu prazer, seu sexo se submetam à reprodução e ao prazer sexual do outro. O ideal do corpo feminino é que seja perfeito, sem estrias, frágil, sexualmente passivo, delicado e voltado para o prazer do homem.

É necessário que a mulher saiba que a estomia não significa que suas possibilidades sexuais tenham cessado.

No começo é difícil aceitar mudanças no corpo, ter medo da relação sexual. De se olhar no espelho após a cirurgia, olhar para a sua barriga e ver aquela bolsa. Mas, entenda que a bolsa não impede você de viver, de sentir a energia da sua sexualidade. Não o impede de abraçar, beijar, acariciar alguém ou alguém que o acaricia. Não o impede de fazer sexo, de desfrutar de outras formas além da penetração. Não o impede de sentir a pele do outro, o cheiro do outro. Tocando o outro, descobrindo o outro, olhando, cheirando, tocando.

Essa bolsa que você tem na barriga não o impede de ter alguém, de amar, de ser amado, de desejar.

VOCÊ É MAIS DO QUE A SUA ESTOMIA!

MINHA PRIMEIRA VEZ

Vivemos em uma sociedade cheia de tabus. Sexo não é discutido em casa, é reprimido na igreja e ensinado biologicamente na escola. Ninguém fala sobre sexo como algo natural. Sua primeira vez não precisa ser como a de todo mundo, muito menos como os filmes românticos aparecem.

Sua primeira vez será boa quando se trata de autoconhecimento e educação sexual. O momento certo para começar é quando você se sentir confortável e conhecer seu corpo. Sua primeira vez não é uma questão de perder a virgindade ou matar sua curiosidade. Faça porque você quer e com quem você quiser. Não existe uma idade ideal aqui, pode ser aos 16, 20 ou 28. A decisão é sua e não de seus amigos ou do outro!

O que devo me preocupar na primeira vez?
Informação é liberdade: duas coisas a procurar: um médico para fazer exames preventivos, assim, aumentar os conhecimentos sobre métodos contraceeptivos. Além de uma sexóloga para orientar e dar dicas para aproveitar do momento de prazer.

Totalmente importante: Sem camisinha não há sexo: o fogo é alto, a roupa no chão, mas sem camisinha não rola. Você quer evitar dores de cabeça, gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis — use camisinha.

Higiene: quando falo em higiene, estou falando de lavar a vulva. Higiene não significa vulva sem pelos. Depilação é escolha sua!.

Mulheres: Dói na primeira vez?
Quando estamos nervosas, nossos músculos se contraem, incluindo a musculatura do canal vaginal. Há outro fator interessante: sem uma boa estimulação, um bom jogo de beijos e carícias, o corpo não criará a lubrificação necessária para a penetração. O segredo é o autoconhecimento, o relaxamento e o diálogo com o outro com vulnerabilidade.

Homens: E se eu brochar?
Quando mais ansioso, nervoso, pior é! Tente relaxar e não se dobrar as cobranças da sociedade em ser o “super homem, sem falhas”, isso pode gerar conflitos sociais como ansiedade e medo de não atender as expectativas. Calma! A relação só será boa se você estiver relaxado, seguro de si e sem preocupações com julgamentos! Seja você e deixe acontecer naturalmente.

A grande questão: o que devo fazer da primeira vez? Antes de saber o que fazer, é melhor definir o que “a primeira vez” significa para você? — a visão heteronormativa do sexo é sinônimo de penetração. Mas, a primeira vez pode ser sexo oral, masturbação mútua ou toques pelo corpo. O mais importante é que a decisão seja sua.

Que não espere que a religião, amizades ou a sociedade fale com quem, como, onde deves ser sua primeira vez. A escolha é sua, somente sua!!

ACEITAÇÃO DO CORPO

“Dentes tortos, cara cheia de espinha, seus seios pequenos e caídos e o estereótipo: Você é muito magra, nenhum homem vai te querer, porque homem gosta de carne. Sua vulva é pequena. Você não é sexy e não tem corpo de uma sexóloga. Essas foram algumas frases que já ouvi desde a minha adolescência até a fase adulta”

Vivemos em uma sociedade onde o corpo é muito importante e que clama todos os dias para que odiamos ele. Vivemos em uma sociedade que ensina as mulheres a terem vergonha de seus corpos desde cedo, no qual existe uma indústria, um sistema que se move e se alimenta dela. Não alcançar o corpo perfeito cria dor, culpa e vergonha, com toda essa construção no corpo feminino, acabamos vivendo, gostando do corpo em partes. Desta forma, sendo prisioneiros, onde todas as nossas expectativas, desejos, necessidades são alimentados por um universo no qual a mulher, se rejeita e, ao mesmo tempo, precisa estar a serviço do prazer do outro.

Agora uma dúvida, como vamos aprender a amar e nos aceitarmos se nos rejeitamos? Quando rejeito, não consigo desfrutar da minha essência e redescobrir novas formas de amar e desfrutar o prazer todos os dias. Ao rejeitar meu corpo, começo a vivenciar um vazio existencial, insegurança, falta de autoestima, submetendo-me a tudo para agradar ao outro. Portanto, vivemos de acordo com o que nos é ditado.

Aceitar o próprio corpo é buscar um relacionamento saudável com ele. É a luta para manter sua singularidade. Aceitar seu próprio corpo é desenvolver o pensamento reflexivo em relação a esses padrões estabelecidos. Aceitar seu próprio corpo é estar fazendo coisas por você. Aceitar o próprio corpo é viver plenamente, apropriando-se de nossos desejos e limites. Aceitar o próprio corpo é permitir, autorizar o movimento e o som de um corpo livre que vibra, dança, doa e o considera digno de receber. Aceitar seu próprio corpo é perceber que você é mais que partes individuais do corpo.

Você não precisa esperar por um corpo perfeito para aproveitar a vida, o amor e o sexo. O descontentamento com o corpo nos impede desfrutar da sexualidade. Lembre-se, o corpo perfeito é o que você tem. Um corpo bonito é aquele que cabe você dentro dele.

SENSAÇÕES DO PRAZER

Beijos lentos, suaves, molhados, lambidas com desejo, mordidas, toques firmes, seguros, carícias, todos são objetos de prazer, que negligenciamos pela neurose do objetivo final, chegar ao orgasmo.

À medida que crescemos perdemos a alegria do sexo, a sensibilidade desses sentimentos, as emoções perdem sua importância em nome da demanda por uma alta performance sexual.

Sexo não é apenas físico, não é um encontro com o pênis na vagina ou no ânus. É um erro acreditar que existe apenas uma dimensão, uma única sensação do prazer no sexo, que gira em torno da penetração e orgasmo.

Sexo não tem a ver com o que fazemos na cama, mas sim, com o que somos. Sexo é um brinde aos sentidos, trata-se de concentrar-se em todo o corpo e não apenas nas partes entre as pernas.

Sexo é sensação algo que tenho que descobrir todos os dias, me fascinar, me encantar, caminhar por novos caminhos, entre olhar, sentir, cheirar, tocar.

"Quando existe um relacionamento, todos os sentimentos do mundo invadem a cama". (Marha Mediros)

Sexo consiste em sentir o contato da mão do outro com a pele. "A pele diz à mente o que está acontecendo ao nosso redor. Tocá-la indica aprovação." (Stephens) O primeiro objetivo e eu diria que a única coisa sobre sexo é disfrutar. Reduzir o prazer do sexo exclusivamente em penetração é pobre. Resumir o sexo como uma busca pelo clímax e um esvaziamento ejaculatório é demasiadamente triste.

Você já pensou em fazer sexo sem penetração? Sentir o abraço, a mão do seu parceiro devorando cada parte do seu corpo? Tudo é permitido aqui: beijos, masturbação mútua, carícias, exceto relação sexual penetrativa.

O sexo para ser prazeroso pode ou não incluir a penetração. Na verdade, para a maioria das mulheres (quase 80%) a penetração é a forma menos agradável, ou seja, é a forma que sente menos prazer e, olha que estamos falando de prazer e não de orgasmo.

Afinal, sexo não é sobre o que fazer, mas sobre como sentir.

Para sentir é necessário que o casal esteja disposto não apenas fisicamente, mas emocionalmente também. Disposto para encontrar o outro e permitir novas formas de erotização, prazer e sensações.

A IMPORTÂNCIA DA SEXUALIDADE EM SUA VIDA

Há uma persistência em nossa sociedade com inúmeros tabus nessa área, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a sexualidade é considerada um aspecto central na vida humana, mas se é importante, por que não prestamos atenção à nossa sexualidade?

Por que o silenciamos, nos calamos e nos tornamos reféns de medos, tabus, inseguranças?

Crescemos associando sexualidade como sinônimo de sexo. Sexo faz parte da sexualidade, mas não é tudo. A sexualidade abrange toda a nossa vida, do nascimento à morte; tem a ver com nossas emoções, atitudes, pensamentos e sentimentos.

Sexualidade é sexo, é identidade e papéis de gênero, é orientação e escolha sexual.

Sexualidade é erotismo, é sentir prazer é ter intimidade. Sexualidade é como você se relaciona consigo mesmo, com o seu corpo e com tudo o que você vive nele.

Sexualidade é reconhecer que é um direito de todo ser humano. O direito de reconhecer seu prazer; você decide por seu corpo, não pelo outro. O direito de estabelecer limites. Direito de cuidar da sua saúde erótica. É o impulso que leva a aprender consigo mesmo e com outras pessoas. É a atração física. A sexualidade é tua companheira desde do nascimento e é compartilhada, mas é pessoal. Você decide quem, quando e como. Quando expressamos pensamentos, fantasias, desejos, com crenças, valores, atitudes, comportamentos e relacionamentos, estamos vivenciando a sexualidade.

Vivenciar a sexualidade é descobrir, experimentar, mas nunca para colocar a saúde à margem de ninguém. É permitir-se ser uma pessoa completa, entre acertos e erros. É nunca mentir sobre algo que não te agrada para satisfazer ao outro.

Experimentar a sexualidade é comunicar-se e ser autêntico consigo mesmo e com o outro.

Falar sobre sexualidade não é ensinar sexo, mas a importância que ela tem na nossa vida e essa importância só quem pode dar é você, quem vai vivenciar.